Mostrando postagens com marcador Reportagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reportagem. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de junho de 2011

Trabalho escravo e devastação ambiental na produção de aço


Os anos passam e as grandes siderúrgicas seguem patrocinando a destruição do meio ambiente. Continuam fritando a Amazônia para produzir aço. Sem pudores, usam o carvão do desmatamento e do trabalho escravo.
A Vale S/A, que fornece minério de ferro para as siderúrgicas da devastação, havia prometido, em 2008, que não faria mais parte da cadeia produtiva da destruição ambiental. Agora, muda a versão e diz: não temos poder de polícia e não temos informações oficiais sobre problema na cadeia produtiva das siderúrgicas do polo de Carajás.
Monitorar cadeia produtiva não é assunto de polícia, mas de responsabilidade social empresarial.
A produção de ferro gusa no polo de Carajás é insustentável. Alimenta a devastação, o trabalho escravo, a corrupção e a pistolagem.
Dia 22, vamos lançar outra pesquisa sobre o tema. A diferença é que, agora, pegamos as empresas com a mão dentro da cumbuca: cruzamos os dados reais de produção de ferro gusa com o total de carvão produzido legalmente. Alçamos um assustador índice de uso do carvão ilegal.
Assista aqui o vídeo de mobilização: http://www.vimeo.com/24797458

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Siderúrgicas, Vale e governo do Pará estão com a palavra


Quinta 17, lançamos A Floresta que Virou Cinza, edição especial da revista Observatório Social. Mostramos como a indústria global do aço financia a devastação ambiental e o trabalho escravo no polo de Carajás.
As seguintes empresas compram ferro-gusa de siderúrgicas que são abastecidas pelo consórcio criminoso que controla o desmatamento no Pará: Gerdau, ThyssenKrupp, Kohler, Whirlpool Corp, Nucor Corporation e National Material Trading Co. São as maiores do mundo em seus setores.
Também são abastecidas pelo ferro-gusa do desmatamento as seguintes montadoras: Daimler Chrysler, Ford, GM, Nissan e Toyota.
O ferro-gusa do desmatamento e do trabalho escravo é produzido com o minério de ferro da Vale, que não está cumprindo o acordo que firmou com o Ministério do Meio Ambiente em 2008. O acordo foi assinado pelo então ministro, Carlos Minc, e o presidente da Vale, Roger Agnelli.
No ato da assinatura do acordo, Agnelli culpou os povos da Amazônia pela devastação: “As florestas são agredidas por falta de opção e oportunidades das pessoas que vivem nas áreas desmatadas", disse o presidente da Vale ao Planeta Sustentável
Os povos da floresta não tem nada a ver com a devastação ambiental. Cerca de 90% do carvão produzido no país é usado para fazer ferro-gusa. A Vale entra no jogo ao fornecer minério de ferro para siderúrgicas que são abastecidas pela quadrilha que controla o desmatamento no Pará, um consórcio formado por políticos, empresários e servidores de Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA-PA).
Por que o governo do Pará, acusado de sustentar bandidos na Secretaria de Meio Ambiente, não se manifestou sobre o caso?
Por que a Vale não se manifestou ao ser acusada de fornecer minério de ferro para a cadeia produtiva da devastação e do trabalho escravo?
Por que as siderúrgicas não se manifestaram?
Quem se beneficia com a devastação da Amazônia não são os povos da floresta. São as grandes corporações industriais que financiam os esquemas predatórios da devastação. São empresas que não levam em conta o valor da natureza. E fazem isso amparadas pelo Estado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem manda na devastação da floresta amazônica


Segundo a revista Observatório Social que será lançada na próxima quinta 17, políticos e empresários do Pará montaram um consórcio para abastecer a indústria mundial do aço com carvão do desmatamento e do trabalho escravo. Fazem parte do consórcio funcionários da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Os principais beneficiários do esquema são as companhias siderúrgicas que operam no pólo de Carajás, dentre elas a Cosipar, que em breve receberá um aporte de US$ 5 bilhões de investidores russos.
Com o carvão do desmatamento fornecido pelo consórcio - e o minério de ferro da Vale, as siderúrgicas produzem ferro-gusa. Depois, vendem o produto para gigantes globais do setor de aço.
São as mega empresas de aço que financiam a devastação da floresta, pois compram 90% da produção de ferro-gusa. São elas: Gerdau, TyssenKrupp, Kohler, WhirlpoolCorp, Nucor Corporation e National Material Trading Co.
A Vale também é responsabilizada, ao não cumprir acordo de 2008 com o Ministério do Meio Ambiente, de só vender minério de ferro para quem usasse carvão certificado.
Na edição do jornal Valor Econômico de segunda 14, o governador do Pará, Simão Jatene, disse o seguinte: Tenho relação boa com todo mundo que trata bem o Estado e tenho uma relação péssima com todo mundo que trata ou tenta tratá-lo mal.... não tenho problema com nenhuma empresa. Não pretendo ser empresário e espero que eles não pretendam ser governadores do Estado”.
Simão Jatene herdou de Ana Júlia uma das secretarias de estado de meio ambiente mais problemáticas do país. Terá forças para afastar os corruptos e sanear o órgão ambiental?
Nessa semana, vamos ouvir o governador e saber quais seus planos para estancar a devastação da floresta, financiada pela indústria global do aço. Acompanhe aqui no blog.


© Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução não comercial, desde que o autor seja citado.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O assassinato de Dorothy Stang, a Máfia da Sudam e a família Sarney


Vitalmiro Moura, o Bida, foi condenado e preso como mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005. Os dois pistoleiros que executaram o crime também foram condenados e estão presos. O outro mandante, Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, aguarda recurso em liberdade.
Aparentemente, o caso está resolvido. Mas só aparentemente.
Taradão e Bida não agiram sozinhos. Ao estilo da Máfia, eles foram escalados para sujar as mãos e “resolver” o caso: matar a freira e liberar a área para a retirada ilegal de madeira.
Por trás de Taradão e Bida existe um grupo criminoso do qual fazem parte políticos, empresários e servidores do governo do Pará. Esse grupo se reuniu para pagar o cachê dos pistoleiros que executaram Dorothy.
O grupo atua hoje no desvio de madeira para a produção de carvão para a indústria global do aço.

Multinacionais

É sobre isso que vai tratar a publicação A Floresta que Virou Cinza, que será lançada em São Paulo dia 17 de fevereiro. Realizada pelo Instituto Observatório Social, em parceria com a Papel Social Comunicação, a publicação mostrará por que três crimes tratados de forma distinta devem, de fato, ser vistos como parte do mesmo esquema:

1. O desvio de R$ 132 milhões de reais pela Máfia da Sudam, que em 2002 levou o senador Jader Barbalho à prisão e implodiu a candidatura da governadora Roseana Sarney à presidência da república;
2. O assassinato de Dorothy Stang, morta com seis tiros dentro de uma área de terras grilada pelo braço direito de Jader Barbalho nos desvios da Sudam;
3. O carvão do trabalho escravo e da devastação, que abastece o mercado internacional do aço e tem como integrantes do esquema políticos, empresários e servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará.

A publicação também mostrará os diferentes graus de responsabilidade de gigantes globais como Gerdau, Vale, ThyssenKrupp, Nucor Corporation, NMT, Ford, General Motors, Toyota e Nissan, empresas que fazem negócios que envolvem o aço do desmatamento e do trabalho escravo.

Tem mais nos próximos posts.

© Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução não comercial, desde que o autor seja citado.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os agentes secretos da devastação

As últimas semanas foram tensas no assentamento Esperança, nas margens da Rodovia Transamazônica, em Anapu (PA).
Primeiro, os agricultores fecharam a estrada para os madeireiros não entrar. Depois, os madeireiros é que fecharam a estrada, em protesto contra a ação dos agricultores.  
Esperança é o assentamento onde mataram a Irmã Dorothy Stang em 2005. De lá pra cá, nada mudou. A região continua sendo controlada por pistoleiros a serviço dos coronéis da política regional, os donos do pedaço.
De forma isolada, como saiu na imprensa, o caso relatado acima não traz nenhuma novidade. É sempre a mesma história.
Contudo, se for visto em perspectiva, mostrará um movimento importante nas peças da política local. Os coronéis estão apertando o cerco para retomar as rédeas da devastação ambiental em Anapu.
Em 2010, os desmatadores conseguiram afastar o delegado do Ibama que atuava na região. O lobby pelo afastamento do delegado foi liderado pela própria governadora do estado, Ana Julia. Ela escreveu uma carta ao presidente do Ibama, em Brasília, pedindo a cabeça do servidor, que atuaria, segundo a governadora, “contra o desenvolvimento da região”.  Ana Júlia escreveu a carta a pedido de um dos chefes da Máfia da Sudam, que desviou R$ 132 milhões de projetos de desenvolvimento para a região.
Por essas e outras, o assentamento Esperança não pode ser visto de forma isolada.
Por ali passa a artéria que irriga um dos mais importantes grupos criminosos da Amazônia, um consórcio formado por empresários, políticos e funcionários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, agentes a serviço da indústria da devastação ambiental (mais ou menos como nos filmes de espionagem, só que de verdade).
O caso virá a tona no dia 17 de fevereiro, quando será lançada em São Paulo uma edição especial da revista Observatório Social. É uma revista inteira dedicada ao assunto. De autoria desse jornalista, em parceria com o repórter e fotojornalista Sérgio Vignes, a reportagem vai mostrar porque três fatos aparentemente isolados devem ser vistos como parte do mesmo esquema:
1: O desvio de R$ 132 milhões pela Máfia da Sudam;
 2: O assassinato da missionária Dorothy Stang;
3: O desvio de milhares de metros cúbicos de madeira para produzir carvão para a indústria mundial do aço.
Em breve, mais detalhes aqui no blog.

© Todos os direitos reservados. Permitida a reprodução não comercial, desde que o autor seja citado.