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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem manda na devastação da floresta amazônica


Segundo a revista Observatório Social que será lançada na próxima quinta 17, políticos e empresários do Pará montaram um consórcio para abastecer a indústria mundial do aço com carvão do desmatamento e do trabalho escravo. Fazem parte do consórcio funcionários da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Os principais beneficiários do esquema são as companhias siderúrgicas que operam no pólo de Carajás, dentre elas a Cosipar, que em breve receberá um aporte de US$ 5 bilhões de investidores russos.
Com o carvão do desmatamento fornecido pelo consórcio - e o minério de ferro da Vale, as siderúrgicas produzem ferro-gusa. Depois, vendem o produto para gigantes globais do setor de aço.
São as mega empresas de aço que financiam a devastação da floresta, pois compram 90% da produção de ferro-gusa. São elas: Gerdau, TyssenKrupp, Kohler, WhirlpoolCorp, Nucor Corporation e National Material Trading Co.
A Vale também é responsabilizada, ao não cumprir acordo de 2008 com o Ministério do Meio Ambiente, de só vender minério de ferro para quem usasse carvão certificado.
Na edição do jornal Valor Econômico de segunda 14, o governador do Pará, Simão Jatene, disse o seguinte: Tenho relação boa com todo mundo que trata bem o Estado e tenho uma relação péssima com todo mundo que trata ou tenta tratá-lo mal.... não tenho problema com nenhuma empresa. Não pretendo ser empresário e espero que eles não pretendam ser governadores do Estado”.
Simão Jatene herdou de Ana Júlia uma das secretarias de estado de meio ambiente mais problemáticas do país. Terá forças para afastar os corruptos e sanear o órgão ambiental?
Nessa semana, vamos ouvir o governador e saber quais seus planos para estancar a devastação da floresta, financiada pela indústria global do aço. Acompanhe aqui no blog.


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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os carrascos de Belo Monte não beberam as cinzas do velho índio


Nos anos 90, fiquei um dia esperando para entrar na aldeia onde mora Davi Yanomami. Celebrava-se ali um ritual e eu tinha que aguardar.
Quando um Yanomami morre, ele é cremado.  
As cinzas, os índios bebem com mingau de banana. Fazem isso para absorver o que o outro aprendeu enquanto vivo.
Bebem as cinzas e seguem suas vidas, mais sábios.
Participei dessa parte, em que bebem o mingau com as cinzas. Ficamos numa enorme roda e uma panela grande foi passando. Cada um dá um gole e vai passando.

Fiquei mais sábio depois de beber aquele mingau. Aprendi a respeitar as diferenças e a diversidade.
Na Cultura do outro aprendi a ser eu mesmo.
Quando já ia saindo, duas crianças estavam sentadas no tronco de uma árvore.
Olhei para elas e vi as duas pessoas mais felizes que conheci e que provavelmente conhecerei até o fim dos meus tempos.
Lembro bem delas, das duas crianças. Lembro dos olhos de gato, da boca, dos dentes escancarados de alegria.   
Os yanomami não gostam de ser fotografados. A câmera rouba a alma deles.
Não fotografei as crianças, elas é que me presentearam com um suspiro de suas almas.
Lembrei delas, das crianças felizes, quando saiu a notícia de que aprovaram o canteiro de obras de Belo Monte.
Só o canteiro de obras....
Só o canteiro de obras??

Confesso que ainda me surpreendo quando vejo um crime contra a humanidade.
Sei lá, se alguma fábula mágica colocasse essas pessoas, as que aprovaram Belo Monte, no meu lugar, aquele dia na aldeia.
Se elas pudessem ter bebido as cinzas do velho índio. Se pudessem ter ficado mais sábias e pudessem ter olhado os olhos das crianças.
Não teriam feito o que fizeram.

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O assassinato de Dorothy Stang, a Máfia da Sudam e a família Sarney


Vitalmiro Moura, o Bida, foi condenado e preso como mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005. Os dois pistoleiros que executaram o crime também foram condenados e estão presos. O outro mandante, Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, aguarda recurso em liberdade.
Aparentemente, o caso está resolvido. Mas só aparentemente.
Taradão e Bida não agiram sozinhos. Ao estilo da Máfia, eles foram escalados para sujar as mãos e “resolver” o caso: matar a freira e liberar a área para a retirada ilegal de madeira.
Por trás de Taradão e Bida existe um grupo criminoso do qual fazem parte políticos, empresários e servidores do governo do Pará. Esse grupo se reuniu para pagar o cachê dos pistoleiros que executaram Dorothy.
O grupo atua hoje no desvio de madeira para a produção de carvão para a indústria global do aço.

Multinacionais

É sobre isso que vai tratar a publicação A Floresta que Virou Cinza, que será lançada em São Paulo dia 17 de fevereiro. Realizada pelo Instituto Observatório Social, em parceria com a Papel Social Comunicação, a publicação mostrará por que três crimes tratados de forma distinta devem, de fato, ser vistos como parte do mesmo esquema:

1. O desvio de R$ 132 milhões de reais pela Máfia da Sudam, que em 2002 levou o senador Jader Barbalho à prisão e implodiu a candidatura da governadora Roseana Sarney à presidência da república;
2. O assassinato de Dorothy Stang, morta com seis tiros dentro de uma área de terras grilada pelo braço direito de Jader Barbalho nos desvios da Sudam;
3. O carvão do trabalho escravo e da devastação, que abastece o mercado internacional do aço e tem como integrantes do esquema políticos, empresários e servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará.

A publicação também mostrará os diferentes graus de responsabilidade de gigantes globais como Gerdau, Vale, ThyssenKrupp, Nucor Corporation, NMT, Ford, General Motors, Toyota e Nissan, empresas que fazem negócios que envolvem o aço do desmatamento e do trabalho escravo.

Tem mais nos próximos posts.

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