sexta-feira, 24 de junho de 2011

A lógica muito própria da indústria publicitária de alimentos


A ingestão demasiada de calorias é um dos principais causadores da obesidade. A doença é considerada uma epidemia global.
A professora Roseli Sichieri, do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, fez um estudo: entre 7% e 9% dos custos hospitalares estão ligados ao sobrepeso e à obesidade. São somas astronômicas para um país com milhões de obesos, como é o caso do Brasil.
Ser obeso custa mais caro. Também é mais difícil conseguir emprego e a qualidade de vida é mais precária.
Nos Estados Unidos, a obesidade é um fator de risco tão ou mais grave que o tabagismo, com 60% da população acima do peso. O país iniciou guerra contra a obesidade.  
O Brasil importou com grande competência o estilo trash food. Vá à praça de alimentação de um shopping e procure a maior fila: McDonald's e Burger King.
É a chamada liberdade de escolha: optar pelo lixo quando o saudável está ao lado.
Colesterol extra
Além dessa suposta liberdade de escolha, também é importante considerar a devastadora máquina publicitária dos alimentos ricos em sódio e gordura.
As agências de publicidade, em geral, tem uma lógica muito delas. Quando alguém reclama, se colocam na condição de vítimas. “Não queremos ser censuradas. Não obrigamos ninguém a comprar. As pessoas tem a liberdade de escolher”.
E toma tranqueira goela abaixo do consumidor. E toma campanha, e toma brinde, e toma criança fazendo comercial de televisão.
Ora, a premiadíssima e milionária indústria publicitária brasileira tem sua própria moral, além de dezenas de leões em Cannes. Ela se basta em si mesma!
E temos que engolir anúncios como esse, do Burger King.
Façamos algumas associações.
Peça sem: salada e cebola.
Peça com: queijo extra, carne extra, bacon, maionese.
O que a campanha diz é o seguinte:
Peça sem salada e sem cebola, pois você tem o direito de recusar os únicos dois alimentos comprovadamente saudáveis dessa mistura.
Peça com carne extra, com queijo extra, com bacon e com maionese. Você tem o direito de comer bombas de sódio e de gordura. Você tem o direito de sentir esse prazer.
Ruahhrrrrr. Mais um leão faturado.
E mais um gordo feliz. 
Ou não.

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Espaço Aberto debate a cadeia produtiva do Aço


Nesta quinta 23, converso com a jornalista Miriam Leitão sobre a pesquisa O Aço da Devastação, que apresenta os problemas ambientais e trabalhistas na cadeia produtiva do Aço.
O Espaço Aberto Miriam Leitão vai ao ar pela Globonews hoje às 21hs25min. Tem reprise sexta 8hs30min e 16hs30min.
O lançamento da pesquisa aconteceu quarta 22 em São Paulo. Participaram diversas organizações da sociedade civil, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e CUT.
O Observatório Social, as entidades que integram o Comitê de Monitoramento do Pacto do Trabalho Escravo, conjuntamente com outras organizações, iniciam agora uma série de iniciativas para interromper os processos predatórios nas siderúrgicas instaladas no polo de Carajás.

Atualizado na sexta 24:
Clique aqui para assistir o Espaço Aberto Miriam Leitão.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Entrevista à Rádio CBN

Conversei hoje cedo com Milton Young, pela CBN, sobre o lançamento da pesquisa O Aço da Devastação, que acontece quarta 22 em São Paulo.

Clique aqui para ouvir.
Clique aqui para saber os detalhes do lançamento.

domingo, 19 de junho de 2011

Governo e empresas se unem para devastar a Amazônia


Principais trechos da entrevista que concedi ao jornalista Jair Stangler, do Estadão. Para acessar a integra do material clique aqui.  Não esqueça: quarta feira 22, lançamento da pesquisa O Aço da Devastação.

Corrupção no governo do Pará: A gente tem o trabalho escravo, devastação ilegal e corrupção. Corrupção ativa e passiva. E aí você tem pequenas carvoarias que estão sendo usadas como fachadas para esquentar carvão, e você tem uma quadrilha que opera nos porões da secretária de Meio Ambiente do Estado do Pará. E essa quadrilha foi muito fortalecida ao longo dos últimos anos. No governo do PT, ela cresceu muito no governo da Ana Júlia. E ela permanece no governo hoje do PSDB. Ela transcende agremiações políticas. Ela sobrevive a partidos, a governos, a gestões.
Siderúrgicas e crimes ambientais: Devastação ilegal, roubo de madeira de terra indígena, contaminação do meio ambiente, e aí você tem grilagem de terra e você tem assassinatos. Quer dizer, as pessoas estão sendo assassinadas para que esse esquema continue de pé. O Zé Cláudio, a mulher dele, toda essa turma que foi assassinada lá nas últimas semanas, eles morreram porque denunciavam a devastação ambiental para produzir carvão e para produzir madeira.
Assassinatos: Elas não sujam a mão de sangue. Elas financiam. As siderúrgicas têm responsabilidade diretas por esses assassinatos. Eu não estou dizendo que eles não têm responsabilidade. Eles são diretamente responsáveis por esses crimes na medida em que financiam as empresas que desmatam e usam trabalho escravo. Isso precisa ficar bem claro. Eu não estou dizendo que eles mandam matar. Eles só financiam quem patrocina os assassinatos.
Vale S/A: A Vale tem uma história de responsabilidade social e empresarial que deve ser levada em conta. Ela tem um poder enorme de influência sobre o governo, sobre outras empresas e tal. A Vale assinou em 2008 um acordo com o Ministério Público que não iria mais fornecer minério de ferro para as empresas ligadas ao desmatamento. Com essa pesquisa eu conversei com a Vale e a Vale me disse que vai apurar. Eu acho bacana a Vale apurar e ela se colocar diante disso. Ou seja, como ela vê essa questão, e como é que ela vai se posicionar depois do lançamento da pesquisa. Porque ela disse “a gente não tem dados suficientes, a pesquisa ainda não foi lançada, mas de imediato eu posso garantir que nós vamos apurar”. É o que eu espero, que a Vale tome a postura correta, pelo tamanho que ela tem, pela influência nacional e internacional.
Estado financiador: O MPF está acusando o BNDES e o BB de emprestarem dinheiro para as empresas que estão devastando a floresta, usando trabalho escravo na cadeia produtiva. É um exemplo do Estado cúmplice do processo predatório. No meu entender não pode. O Estado e as empresas públicas, e os bancos públicos eles não podem financiar a devastação ambiental, é absolutamente inaceitável você ter o BB e o BNDES financiando trabalho escravo. Não pode acontecer, de forma alguma. Precisa mudar, precisa ficar mais atento. E precisa aprovar a PEC do trabalho escravo.
Colarinho branco: É muito poder, é muita grana. Eles controlam, eles dominam a região. Eles mandam e desmandam. E aí você tem desde a influência econômica dos altos escalões, a compra, a corrupção e na linha de frente, na linha mais baixa, você tem a pistolagem. Ou seja, ou você se enquadra ou nós vamos passar fogo mesmo. É tudo o mesmo esquema, é tudo o mesmo negócio. Seja a alta corrupção, o crime do colarinho branco, ou a pistolagem, é tudo para beneficiar os esquemas de devastação ambiental.

sábado, 18 de junho de 2011

MPF instaura ação contra siderúrgicas do polo de Carajás


O procurador da República Tiago Rabelo, do MPF de Marabá, disse à revista Época - que chega as bancas nesse final de semana, que vai instaurar ação civil pública contras as siderúrgicas citadas na pesquisa O Aço da Devastação, que será lançada em São Paulo dia 22.

Clique aqui para saber mais detalhes.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Trabalho escravo e devastação ambiental na produção de aço


Os anos passam e as grandes siderúrgicas seguem patrocinando a destruição do meio ambiente. Continuam fritando a Amazônia para produzir aço. Sem pudores, usam o carvão do desmatamento e do trabalho escravo.
A Vale S/A, que fornece minério de ferro para as siderúrgicas da devastação, havia prometido, em 2008, que não faria mais parte da cadeia produtiva da destruição ambiental. Agora, muda a versão e diz: não temos poder de polícia e não temos informações oficiais sobre problema na cadeia produtiva das siderúrgicas do polo de Carajás.
Monitorar cadeia produtiva não é assunto de polícia, mas de responsabilidade social empresarial.
A produção de ferro gusa no polo de Carajás é insustentável. Alimenta a devastação, o trabalho escravo, a corrupção e a pistolagem.
Dia 22, vamos lançar outra pesquisa sobre o tema. A diferença é que, agora, pegamos as empresas com a mão dentro da cumbuca: cruzamos os dados reais de produção de ferro gusa com o total de carvão produzido legalmente. Alçamos um assustador índice de uso do carvão ilegal.
Assista aqui o vídeo de mobilização: http://www.vimeo.com/24797458

domingo, 5 de junho de 2011

Síndrome incurável afeta jornalistas e se espalha pelas redações



Faz muito tempo que eu aviso meus amigos e amigas jornalistas sobre os riscos de contrair a perigosa e incurável Síndrome do Ar Condicionado.
Quando isso acontece, o jornalista desenvolve uma série de patologias. A primeira delas é a percepção de que pode resolver tudo por telefone e e-mail e que não precisa sair da redação.
Veja um exemplo, publicado hoje no G1:
... Duas vítimas de sequestro-relâmpago que estavam sendo mantidas reféns dentro do porta-malas de um carro foram libertadas pela Polícia Militar de São Paulo após perseguição aos criminosos durante a madrugada deste domingo (5) na Zona Leste
... Um dos sequestradores foi morto...
...  Por telefone, o G1 conversou com uma das duas vítimas e com os policiais militares que participaram da ação. “Ouvimos os sequestradores dizerem que iriam nos matar"...... etc etc etc
Ir a campo, sair pra rua, investigar, perguntar, checar, rechecar. Isso tudo acaba quando a Síndrome do Ar Condicionado se instala na corrente sanguínea do jornalista.
Era uma doença rara, mas tornou-se comum depois que os jornalistas passaram a habitar os lugares mais confinados e insalubres do prédio. Os espaços mais arejados tiveram que ser desocupados para a entrada dos publicitários, que seguem o caminho do dinheiro e são muito mais pragmáticos que os jornalistas.
Antes, nas redações, os jornalistas ocupavam lugares mais arejados e tinham infraestrutura para sair pra rua. Mas isso acabou. Hoje, ficam sem tomar sol, respiram ares já respirados e, mais cedo ou mais tarde, contraem a Síndrome do Ar Condicionado
Outro sintoma da doença é achar que as coisas são assim mesmo e que assim devem ser. E se acomodam em frente de uma suposta janela para o mundo: um computador conectado à rede. É nesse momento que a doença se torna praticamente incurável.
Veja a lista de sintomas pela ordem que geralmente aparecem:
1. Achar que sempre dá pra resolver uma matéria por telefone;
2. Acreditar no que escuta, por telefone, de policiais;
3. Achar que é normal passar o dia pegando declarações e escrevendo matérias com a ajuda do Google;
4. Achar que o Google tem respostas para todas as perguntas;
5. Acreditar nas fórmulas e macetinhos que aprendeu numa caríssima palestra da Abraji;
6. Se autoproclamar jornalista investigativo;
7. Morte.
Se você apresentar um ou dois sintomas acima, procure imediatamente respirar ar fresco e tomar um pouco de chuva. É o melhor remédio para tratar a doença.
Só não tome chuva se você apresentar o sétimo sintoma, pois poderá pegar um resfriado.
E não esqueça: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo não é jornalismo 

sábado, 28 de maio de 2011

A liberdade é uma delícia


A máquina repressora do “estado de direito” se manteve quieta no sábado 28. A Marcha da Liberdade seguiu seu caminho sem problemas, do vão central do MASP até a Praça da República, em São Paulo. A manifestação tinha sido novamente proibida por um desembargador, que alegava apologia ao uso de drogas.
Anteriormente, se chamava Marcha da Maconha. É um movimento que propõe mudar uma lei: a que criminaliza o uso da maconha. Os simpatizantes marchariam pelo direito democrático que dá ao cidadão a liberdade de reivindicar pacificamente a mudança de uma lei.
O Poder Judiciário viu nisso a semente da desordem e mandou a polícia descer o sarrafo, caso alguém saísse em caminhada pela causa. Foi o que aconteceu no sábado 21. Manifestantes e jornalistas apanharam.  No meio da semana, o governador Geraldo Alckmin reconheceu o abuso da tropa.
Durante a semana, a manifestação mudou de nome e passou a se chamar Marcha da Liberdade. No sábado 28, Alckmin mandou a PM acompanhar e ajudar a organizar o trânsito. Só isso.
Deu tudo certo. Como o evento continuava proibido pela justiça, deu-se um jeitinho e a marcha subiu a Paulista e desceu a Consolação.

Paz e Amor

O aparato repressor do Brasil democrático foi criado durante a ditadura. Pouco evoluiu de lá pra cá. Virou um monstro de mil cabeças: caro, corrupto, incompetente e antiquado.
Muitos policiais se esforçam para mudar a imagem e a prática na corporação, mas ela continua trabalhando para fazer o que foi programada para fazer quando nasceu. É uma regra interna, como um código de DNA.
Como não dá pra reinicializar o sistema, passar a régua e começar de novo, vão ajustando aos poucos, bem aos poucos.
O Poder Judiciário e o aparato repressor trabalham em sincronia, se ajustam. Um é a calça e o outro é a camisa do “sistema”. Os dois foram feitos para proteger quem manda e colocar na linha quem não obedece.
Por isso a marcha foi reprimida. Pelo seu potencial transformador, pela sua regra interna revolucionária. O poder constituído tem pavor dos movimentos que vem de baixo, que amergem em meio a mesmice.
Esse movimento começou com meia dúzia de estudantes distribuindo panfletos. Tomou proporção nacional ao longo do tempo.
Para a felicidade geral, no sábado 21 o poder judiciário e seus comandados haviam dado uma enorme contribuição para o sucesso da causa. A Justiça mandou reprimir quem só queria saber de paz e amor. E a marcha ganhou o noticiário, visibilidade e legitimidade social. Tudo o que o aparato de controle social não queria.
Paz e amor é demais pra eles, sempre foi, desde a revolução francesa, desde a descoberta da roda.
Paz e amor derruba estruturas, cria novas referências, movimenta a inteligência coletiva, cria a emergência coletiva.
Essa marcha vai longe.

terça-feira, 1 de março de 2011

O valor da Natureza - parte 1


Não há romantismo ou ilusão entre os profissionais que decidem o preço dos produtos vendidos nos magazines e redes de supermercados. São pessoas pautadas pela concorrência, por metas, por planilhas cada vez mais rigorosas.
A primeira coisa que um profissional dessa área precisa saber é a diferença entre fantasia e realidade.
A realidade não tem moral e não tem ética. Ela é apenas a realidade. Nós é que a esticamos de um lado para o outro. Fazemos de tudo para moldá-la ao que acreditamos ser o melhor para nós, para nosso grupo ou para o nosso ideal.
A realidade caminha. O ideal voa. Entre um e outro está tudo o que nos faz humanos e que nos diferencia dos animais, como a Cultura por exemplo.
A turma do marketing navega bem entre os dois universos, o da fantasia e o da realidade. O presidente da Nike já disse, tempos atrás, que o negócio deles não é fabricar tênis, mas vender conceitos.
O trabalho de fabricar tênis fica para os chineses e vietnamitas. Enclausurados em cubículos mal ventilados, aonde não chega nem ar puro nem direitos humanos, costuram pedaços de couro que depois ganharão o conceito, o valor mais precioso na sociedade do hiperconsumo em que vivemos.
O pessoal do marketing sabe disso. O consumidor paga uma mixaria pelo tênis e uma fortuna pelo conceito. E fica feliz por isso.
No outro extremo, na seara que batizamos de sustentabilidade, as coisas não são assim tão simples. Por enquanto, o consumidor não quer pagar pelos produtos que foram fabricados de forma sustentável, ou seja, fabricados sem agredir a natureza, por exemplo. Quem diz isso são os próprios responsáveis pela fixação de preços nas grandes lojas de varejo.
 O consumidor está disposto a pagar por beleza, virilidade, conquista, corpo delineado, poder, felicidade material, fama. Mas não topa pagar o custo da natureza. Nem um centavo a mais.
O desafio é como aproximar os dois, a cultura da sustentabilidade e a prática diária do consumidor. A autodeterminação dá a ele o direito de escolha, e ele ainda não escolheu pagar mais pelo produto sustentável.
A cultura da sustentabilidade come poeira na corrida pelos corações e mentes do consumidor. Principalmente porque não dispõe dos bilhões de dólares despejados pela indústria da publicidade, as fábricas de conceitos que agrega valor ao tênis, ao carro, a lata de cerveja.
O ativismo ambiental e a responsabilidade social empresarial (a verdadeira, não o marketing social) tentam mudar isso, ainda sem muito sucesso.
Voltarei ao assunto.

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Perguntas não respondidas


O governador do Para, Simão Jatene, desistiu de responder as quatro perguntas enviadas na terça 22.
As perguntas estão relacionadas a apresentação de provas, pela revista Observatório Social, que ligam servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente em esquemas de corrupção no esquentamento de carvão usado pela indústria siderúrgica. 

A decisão do governador, de não se manifestar, revoga decisão anterior. Por intermédio da assessoria de imprensa, ele havia prometido enviar as respostas na quinta feira 24. Depois, prometeu para sexta-feira 25.
Finalmente, no domingo, a assessoria de comunicação informou que as respostas não serão mais enviadas.
As perguntas que o governador não respondeu são as seguintes:

1. Governador, qual sua posição em relação à denúncia do Observatório Social, que relaciona a Secretaria de Estado de Meio Ambiente em esquemas criminosos de esquentamento de carvão para as siderúrgicas do polo de Carajás? 
2. Que medidas o governo do Pará vai adotar para evitar que o setor siderúrgico do polo de Carajás continue usando carvão do desmatamento e do trabalho escravo? 
 3. Que medidas o governo do Pará vai tomar para sanear a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, que vem sendo sistematicamente relacionada a fraudes ambientais, inclusive em relatórios do Ibama e da Polícia Federal?
 4. Que estratégias o Sr vai adotar, ao longo da sua gestão, para enfrentar o desmatamento e o trabalho escravo no Pará? 

Para mais informações e para baixar o PDF da revista, visite o site do Observatório social no endereço www.os.org.br


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Perguntas ao governador do Pará, Simão Jatene


E-mail enviado aos assessores de imprensa do governador do Pará, Simão Jatene:

Prezados Simone Romero e Paulo Silber,

No dia 17 de fevereiro, o Instituto Observatório Social lançou a publicação A Floresta que Virou Cinza, que mostra esquemas ilegais de fornecimento de carvão para as siderúrgicas do polo de Carajás.
A reportagem, de minha autoria, mostra que as siderúrgicas estão comprando carvão de desmatamento e de trabalho escravo.
A reportagem cita um esquema de corrupção na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, em que fiscais atuariam a favor de um consórcio criminoso do qual fazem parte empresários e políticos.

Estou produzindo uma matéria com a repercussão do caso e gostaria de obter a posição do governador Simão Jatene sobre os seguintes temas:

1. Governador, qual sua posição em relação à denúncia do Observatório Social, que relaciona a Secretaria de Estado de Meio Ambiente em esquemas criminosos de esquentamento de carvão para as siderúrgicas do polo de Carajás? 
2. 
Que medidas o governo do Pará vai adotar para evitar que o setor siderúrgico do polo de Carajás continue usando carvão do desmatamento e do trabalho escravo? 


3. 
Que medidas o governo do Pará vai tomar para sanear a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, que vem sendo sistematicamente relacionada a fraudes ambientais, inclusive em relatórios do Ibama e da Polícia Federal?

4. 
Que estratégias o Sr vai adotar, ao longo da sua gestão, para enfrentar o desmatamento e o trabalho escravo no Pará? 



Para mais informações e para baixar o PDF da revista, por favor visite o site do Observatório social no endereço www.os.org.br

Ficamos à sua inteira disposição.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Siderúrgicas, Vale e governo do Pará estão com a palavra


Quinta 17, lançamos A Floresta que Virou Cinza, edição especial da revista Observatório Social. Mostramos como a indústria global do aço financia a devastação ambiental e o trabalho escravo no polo de Carajás.
As seguintes empresas compram ferro-gusa de siderúrgicas que são abastecidas pelo consórcio criminoso que controla o desmatamento no Pará: Gerdau, ThyssenKrupp, Kohler, Whirlpool Corp, Nucor Corporation e National Material Trading Co. São as maiores do mundo em seus setores.
Também são abastecidas pelo ferro-gusa do desmatamento as seguintes montadoras: Daimler Chrysler, Ford, GM, Nissan e Toyota.
O ferro-gusa do desmatamento e do trabalho escravo é produzido com o minério de ferro da Vale, que não está cumprindo o acordo que firmou com o Ministério do Meio Ambiente em 2008. O acordo foi assinado pelo então ministro, Carlos Minc, e o presidente da Vale, Roger Agnelli.
No ato da assinatura do acordo, Agnelli culpou os povos da Amazônia pela devastação: “As florestas são agredidas por falta de opção e oportunidades das pessoas que vivem nas áreas desmatadas", disse o presidente da Vale ao Planeta Sustentável
Os povos da floresta não tem nada a ver com a devastação ambiental. Cerca de 90% do carvão produzido no país é usado para fazer ferro-gusa. A Vale entra no jogo ao fornecer minério de ferro para siderúrgicas que são abastecidas pela quadrilha que controla o desmatamento no Pará, um consórcio formado por políticos, empresários e servidores de Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA-PA).
Por que o governo do Pará, acusado de sustentar bandidos na Secretaria de Meio Ambiente, não se manifestou sobre o caso?
Por que a Vale não se manifestou ao ser acusada de fornecer minério de ferro para a cadeia produtiva da devastação e do trabalho escravo?
Por que as siderúrgicas não se manifestaram?
Quem se beneficia com a devastação da Amazônia não são os povos da floresta. São as grandes corporações industriais que financiam os esquemas predatórios da devastação. São empresas que não levam em conta o valor da natureza. E fazem isso amparadas pelo Estado.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O incrível preço do transporte coletivo em São Paulo


A passagem de ônibus em São Paulo atingiu em janeiro o patamar de R$ 3,00. É a passagem mais cara do país na cidade com os maiores problemas de transporte coletivo do país.
São Paulo também é recordista em empresas de transporte coletivo financiando campanhas políticas.
Então, não dá pra ficar calado.
Cinco grandes manifestações, com milhares de pessoas, já foram às ruas.
No primeiro ato, a polícia reprimiu os mil manifestantes que caminhavam pacificamente.
Nas semanas seguintes, sucessivos atos reuniram, em média, cerca de 4 mil pessoas. No último, mais de 3 mil manifestantes ocuparam o Terminal Pq. D. Pedro, o maior da América Latina, após caminhar pelo centro. Tudo pacificamente.
Ao terminar na Prefeitura, o ato tinha mais que três vezes o tamanho original.
O movimento não pára de ganhar força! E agora que voltam as aulas, busca levar ainda mais estudantes para as ruas.
Atue contra o aumento! Nos últimos anos, Florianópolis, Vitória, Ouro Preto e, na última semana, Porto Velho, barraram seus aumentos.
Na próxima quinta terá um novo ato pacífico, em frente a Prefeitura.
Kassab precisa revogar esse aumento.


SERVIÇO

6º GRANDE ATO CONTRA O AUMENTO DA TARIFA
Dia 17/2
Concentração 17h
Em frente a Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem manda na devastação da floresta amazônica


Segundo a revista Observatório Social que será lançada na próxima quinta 17, políticos e empresários do Pará montaram um consórcio para abastecer a indústria mundial do aço com carvão do desmatamento e do trabalho escravo. Fazem parte do consórcio funcionários da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Os principais beneficiários do esquema são as companhias siderúrgicas que operam no pólo de Carajás, dentre elas a Cosipar, que em breve receberá um aporte de US$ 5 bilhões de investidores russos.
Com o carvão do desmatamento fornecido pelo consórcio - e o minério de ferro da Vale, as siderúrgicas produzem ferro-gusa. Depois, vendem o produto para gigantes globais do setor de aço.
São as mega empresas de aço que financiam a devastação da floresta, pois compram 90% da produção de ferro-gusa. São elas: Gerdau, TyssenKrupp, Kohler, WhirlpoolCorp, Nucor Corporation e National Material Trading Co.
A Vale também é responsabilizada, ao não cumprir acordo de 2008 com o Ministério do Meio Ambiente, de só vender minério de ferro para quem usasse carvão certificado.
Na edição do jornal Valor Econômico de segunda 14, o governador do Pará, Simão Jatene, disse o seguinte: Tenho relação boa com todo mundo que trata bem o Estado e tenho uma relação péssima com todo mundo que trata ou tenta tratá-lo mal.... não tenho problema com nenhuma empresa. Não pretendo ser empresário e espero que eles não pretendam ser governadores do Estado”.
Simão Jatene herdou de Ana Júlia uma das secretarias de estado de meio ambiente mais problemáticas do país. Terá forças para afastar os corruptos e sanear o órgão ambiental?
Nessa semana, vamos ouvir o governador e saber quais seus planos para estancar a devastação da floresta, financiada pela indústria global do aço. Acompanhe aqui no blog.


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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A maquiagem para crianças e a mercantilização da infância


Quando postei a notícia de que a Walmart lançaria maquiagem anti-envelhecimento para crianças, o tema já era comentado em sites norte-americanos. No Brasil, o caso foi antecipado pelo Projeto Criança e Consumo, em sua página no Facebook. Jornalistas ligaram para a Walmart em São Paulo, mas a empresa se fechou e disse que não tinha informações, tanto que ainda não respondeu as perguntas enviadas por esse blog (clique aqui para entender o caso).
Alguns dias depois, o jornal Valor Econômico publicou uma matéria (só para assinantes) informando que as pré-adolescentes são o novo alvo da indústria da beleza. A matéria dá a entender que a empresa, ao lançar o produto, está quase fazendo um favor às crianças e suas mães: “Realmente preciso ajudar e educar minha filha em como cuidar da pele”, diz a vice-presidente de cuidados pessoais da Walmart, Carmem Bauza.
Carmem Bauza tergiversa. Ajudar crianças a cuidar da pele é uma coisa, vender maquiagem anti-envelhecimento para meninas de oito anos é outra. A Walmart não faz favores. Está de olho num mercado de US$ 2 bilhões, que será alcançado por sua rede de lojas em todo o planeta.
O poder da indústria da beleza é monstruoso. É uma das que mais cresce no mundo e uma das que mais compra espaço publicitário.
No Brasil, em dez anos o faturamento do setor de beleza passou de R$ 4,9 bilhões para R$ 21,7 bilhões.
A matéria do Valor também cita Bobbi Brown, autora do livro Beauty Rules. A autora anuncia: “Elas gostam. Não acho que seja um problema. Tornar isso um tabu é que é um problema”.
Bobbi também tergiversa a favor da indústria. É óbvio que as meninas gostam. Elas e suas mães são cada vez mais pressionadas para terminar logo com a infância e entrar no mercado. O mundo precisa de consumidoras vorazes.
A raiz do problema não é o que as crianças gostam.  A raiz do problema é a mercantilização da infância. É a transposição da última fronteira do hiperconsumo, a nova religião que trocou o “ser” pelo “ter”.
No Brasil, anualmente, são investidos mais de R$ 200 milhões de reais em publicidade de produtos infantis. Além da propaganda diretamente voltada para a criança, também existe uma outra parcela de investimentos, na qual crianças são usadas em campanhas publicitárias para adultos.
Diversos países proíbem a participação de crianças em comerciais. E a propaganda de produtos infantis acontece só depois que a criança foi dormir, pois é direcionada aos pais. É assim em países como Suécia, Grécia, Bélgica, Irlanda e Noruega.
No Brasil é uma festa. Aqui, as crianças vendem carros, apartamentos, desenham corações em areias paradisíacas para convencer papai a abrir uma conta bancária.  
Olha, mamãe, sinceramente. Não deixe o "mercado" roubar a infância da sua filha. Ela não precisa de maquiagem anti-envelhecimento.
Sugiro a leitura do portal Criança e Consumo, com muita informação interessante sobre o que acontece no mundo da publicidade para crianças. 


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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O jornalismo, a filha de Nando Reis e o medo dos pobres


Matéria no caderno Ilustrada apresenta “as novas experiências de Sophia, a filha do músico Nando Reis”.
Segundo o jornal, ela “deixou o glamour dos estúdios da MTV”, onde era VJ, e foi às ruas como repórter de A Liga, da Band.
A Liga é um programa de variedades que mostra, como todo programa de variedades dos últimos 20 anos, “a realidade de uma forma nunca vista”.
Na televisão, não apenas no Brasil, a crescente espetacularização do jornalismo convém ao público mediano, que busca entretenimento sem envolvimento.  Convém também aos meios de comunicação, que não precisam gastar muito para pasteurizar a notícia.
O espetáculo convém principalmente aos anunciantes, que tem a garantia de que seus anúncios estarão recheados do mais inofensivo jornalismo de entretenimento.
Os resultados são sempre surpreendentes, nunca para melhor.
Nesse cenário, cumprindo sua nova missão no mundo televisivo, a nova repórter da Band foi pautada para entrevistar os temíveis, mal cheirosos e perigosos moradores de rua de São Paulo.
Sophia foi jogada de cabeça em um mundo onde nunca esteve e do qual não sabe muita coisa. Resultado: foi a campo como quem vai ao jardim zoológico. Voltou de sua “experiência” com a seguinte declaração: “Não senti medo. Senti foi curiosidade de entender a vida dessas pessoas”.
Poderia ter voltado com uma declaração bem parecida se a tivessem jogado na jaula dos esquilos.
Sophia não explica porque mencionou que não teve medo dos moradores de rua. Podemos apenas deduzir que ela chegou lá com a impressão de que as pessoas que não tem casa e moram na rua são perigosas.
Cercada de produtores, assistentes, stylists e maquiadores, Sophia aventurou-se pelas ruas de São Paulo e sobreviveu a uma entrevista com moradores de rua.  Voltou com a matéria certa para ocupar o espaço entre dois anúncios, esses sim, os assuntos que realmente precisam ser levados a sério.
Jornalismo sobre moradores de rua pode ser encontrado no livro Cama de Cimento, de Tomás Chiaverini, que passou dois anos pesquisando o assunto.


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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os carrascos de Belo Monte não beberam as cinzas do velho índio


Nos anos 90, fiquei um dia esperando para entrar na aldeia onde mora Davi Yanomami. Celebrava-se ali um ritual e eu tinha que aguardar.
Quando um Yanomami morre, ele é cremado.  
As cinzas, os índios bebem com mingau de banana. Fazem isso para absorver o que o outro aprendeu enquanto vivo.
Bebem as cinzas e seguem suas vidas, mais sábios.
Participei dessa parte, em que bebem o mingau com as cinzas. Ficamos numa enorme roda e uma panela grande foi passando. Cada um dá um gole e vai passando.

Fiquei mais sábio depois de beber aquele mingau. Aprendi a respeitar as diferenças e a diversidade.
Na Cultura do outro aprendi a ser eu mesmo.
Quando já ia saindo, duas crianças estavam sentadas no tronco de uma árvore.
Olhei para elas e vi as duas pessoas mais felizes que conheci e que provavelmente conhecerei até o fim dos meus tempos.
Lembro bem delas, das duas crianças. Lembro dos olhos de gato, da boca, dos dentes escancarados de alegria.   
Os yanomami não gostam de ser fotografados. A câmera rouba a alma deles.
Não fotografei as crianças, elas é que me presentearam com um suspiro de suas almas.
Lembrei delas, das crianças felizes, quando saiu a notícia de que aprovaram o canteiro de obras de Belo Monte.
Só o canteiro de obras....
Só o canteiro de obras??

Confesso que ainda me surpreendo quando vejo um crime contra a humanidade.
Sei lá, se alguma fábula mágica colocasse essas pessoas, as que aprovaram Belo Monte, no meu lugar, aquele dia na aldeia.
Se elas pudessem ter bebido as cinzas do velho índio. Se pudessem ter ficado mais sábias e pudessem ter olhado os olhos das crianças.
Não teriam feito o que fizeram.

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O assassinato de Dorothy Stang, a Máfia da Sudam e a família Sarney


Vitalmiro Moura, o Bida, foi condenado e preso como mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang em 2005. Os dois pistoleiros que executaram o crime também foram condenados e estão presos. O outro mandante, Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, aguarda recurso em liberdade.
Aparentemente, o caso está resolvido. Mas só aparentemente.
Taradão e Bida não agiram sozinhos. Ao estilo da Máfia, eles foram escalados para sujar as mãos e “resolver” o caso: matar a freira e liberar a área para a retirada ilegal de madeira.
Por trás de Taradão e Bida existe um grupo criminoso do qual fazem parte políticos, empresários e servidores do governo do Pará. Esse grupo se reuniu para pagar o cachê dos pistoleiros que executaram Dorothy.
O grupo atua hoje no desvio de madeira para a produção de carvão para a indústria global do aço.

Multinacionais

É sobre isso que vai tratar a publicação A Floresta que Virou Cinza, que será lançada em São Paulo dia 17 de fevereiro. Realizada pelo Instituto Observatório Social, em parceria com a Papel Social Comunicação, a publicação mostrará por que três crimes tratados de forma distinta devem, de fato, ser vistos como parte do mesmo esquema:

1. O desvio de R$ 132 milhões de reais pela Máfia da Sudam, que em 2002 levou o senador Jader Barbalho à prisão e implodiu a candidatura da governadora Roseana Sarney à presidência da república;
2. O assassinato de Dorothy Stang, morta com seis tiros dentro de uma área de terras grilada pelo braço direito de Jader Barbalho nos desvios da Sudam;
3. O carvão do trabalho escravo e da devastação, que abastece o mercado internacional do aço e tem como integrantes do esquema políticos, empresários e servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará.

A publicação também mostrará os diferentes graus de responsabilidade de gigantes globais como Gerdau, Vale, ThyssenKrupp, Nucor Corporation, NMT, Ford, General Motors, Toyota e Nissan, empresas que fazem negócios que envolvem o aço do desmatamento e do trabalho escravo.

Tem mais nos próximos posts.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Os agentes secretos da devastação

As últimas semanas foram tensas no assentamento Esperança, nas margens da Rodovia Transamazônica, em Anapu (PA).
Primeiro, os agricultores fecharam a estrada para os madeireiros não entrar. Depois, os madeireiros é que fecharam a estrada, em protesto contra a ação dos agricultores.  
Esperança é o assentamento onde mataram a Irmã Dorothy Stang em 2005. De lá pra cá, nada mudou. A região continua sendo controlada por pistoleiros a serviço dos coronéis da política regional, os donos do pedaço.
De forma isolada, como saiu na imprensa, o caso relatado acima não traz nenhuma novidade. É sempre a mesma história.
Contudo, se for visto em perspectiva, mostrará um movimento importante nas peças da política local. Os coronéis estão apertando o cerco para retomar as rédeas da devastação ambiental em Anapu.
Em 2010, os desmatadores conseguiram afastar o delegado do Ibama que atuava na região. O lobby pelo afastamento do delegado foi liderado pela própria governadora do estado, Ana Julia. Ela escreveu uma carta ao presidente do Ibama, em Brasília, pedindo a cabeça do servidor, que atuaria, segundo a governadora, “contra o desenvolvimento da região”.  Ana Júlia escreveu a carta a pedido de um dos chefes da Máfia da Sudam, que desviou R$ 132 milhões de projetos de desenvolvimento para a região.
Por essas e outras, o assentamento Esperança não pode ser visto de forma isolada.
Por ali passa a artéria que irriga um dos mais importantes grupos criminosos da Amazônia, um consórcio formado por empresários, políticos e funcionários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, agentes a serviço da indústria da devastação ambiental (mais ou menos como nos filmes de espionagem, só que de verdade).
O caso virá a tona no dia 17 de fevereiro, quando será lançada em São Paulo uma edição especial da revista Observatório Social. É uma revista inteira dedicada ao assunto. De autoria desse jornalista, em parceria com o repórter e fotojornalista Sérgio Vignes, a reportagem vai mostrar porque três fatos aparentemente isolados devem ser vistos como parte do mesmo esquema:
1: O desvio de R$ 132 milhões pela Máfia da Sudam;
 2: O assassinato da missionária Dorothy Stang;
3: O desvio de milhares de metros cúbicos de madeira para produzir carvão para a indústria mundial do aço.
Em breve, mais detalhes aqui no blog.

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